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A Odontogeriatria e o seu dia-a-dia

 

Os primeiros resultados sobre o DNA do Projeto Genoma tem dado ao homem a possibilidade de viver, em média, 120 anos.

Se o dado nos espanta, o mesmo não acontece aos estudiosos da Bíblia Sagrada, onde achamos a mesma afirmação, mas agora proferida por Deus, sobre a longevidade do homem em sua vida.

Sem qualquer especulação futurista, o homem caminha para viver mais anos, fatores atuais como: dietas e condicionamento físico, hábitos para uma vida menos estressante aliados ao paradigma da moderna Medicina, voltada para conhecimento e tratamento das doenças degenerativas,nos leva a aceitar os 120 anos da vida provável do homem com alegria mas com imensa responsabilidade.
O ideal a ser atingido é um ser com maior expectativa de vida, mas com qualidade da mesma; uma vida longa mas não vegetativa é um desafio de todos que cuidam da saúde humana.

E a Odontologia, como se situa neste contexto? Assistimos com entusiasmo os bons resultados do emprego dos princípios de Prevenção e outros fatores que levam nossas crianças a tornarem-se adultos bem dentados e quase sempre com um mínimo de tratamentos restauradores; oclusão bem definida e perpetuação dos hábitos pessoais de higienização bucal que permitem chegar à terceira idade com a maioria dos elementos dentários, cabendo à Odontologia, pela manutenção permanente, controlar a preservação da saúde bucal pela estrita redução do acúmulo de placa bacteriana.

Recentemente foi criada a especialidade de Odontogeriatria pelo C.F.O.. Com alegria saudamos o acontecimento, pois não podemos mais uma vez ignorar os novos rumos de nossa profissão; o mundo há muito tem - em centros mais avançados da Odontologia - a prática da Odontogeriatria, não ignorando que o homem vive mais, com um insofismável aumento na expectativa de vida, mesmo no Brasil, com seus difíceis problemas de desenvolvimento.

Vive nos dias atuais a Odontologia o desafio de busca de um melhor futuro. Sem dúvida, o aumento desenfreado de novas Faculdades, injeta na comunidade novos profissionais, em geral seduzidos pelo ensino de novos modismos. Estas escolas não pregam a integração multidisciplinar, que - se executada - culminaria na formação de um clínico geral generalista, profissional de fácil absorção pelo desassistido mercado da comunidade brasileira. Não podemos esquecer que na Europa e EUA há uma volta ao ensino direcionado para a formação de clínicos gerais, tanto em Odontologia como em Medicina.

Sem excesso de otimismo, podemos vislumbrar que a prevenção passa a ter resultados animadores em nosso meio, o emprego de métodos preventivos, a imagem construída pela mídia que ter dentes bem preservados passa a ser um requisito para melhor sobrevida e com maior sucesso, no seio de uma sociedade moderna.

Assim sendo, se hoje já temos mais de 14 milhões de idosos, mas com previsão - para o ano de 2025 - de 32 milhões de brasileiros acima de 60 anos, nos tornando aí a sexta maior população idosa do mundo; imensa responsabilidade para a política futura de novos tempos, mas com o advento de um grande mercado para novas gerações preparadas adequadamente, agora comprometidas em atender os ditames dos novos tempos, que prevê que de cada 3 pacientes que venham a freqüentar nossos consultórios, 2 serão idosos.

Mas o perfil deste cidadão muda a cada momento, um novo ser com maior expectativa de vida, bem dentado, que valoriza sua saúde bucal, pois o conhecimento dos princípios geriátricos sinalizam, de forma irrefutável, por trabalhos científicos recentes -tanto na Inglaterra como no Japão - países de alta responsabilidade no trato de seus habitantes geriátricos,que a preservação funcional do Sistema Mastigatório por toda a vida com uma mastigação realmente efetiva, leva à uma maior absorção dos nutrientes essenciais.

Nutrientes e saúde melhor na Terceira Idade, com maior expectativa de vida, menos doenças e com satisfação e prazer de melhor sorrir e mastigar, sinalizando para a Odontologia um novo paradigma: maior preservação e manutenção e menor atividade restauradora. Diabetes, hipertensão arterial, doenças articulares e ateropatias, são patologias com maior freqüência na idade geriátrica.

A Odontologia se agiganta no conceito das comunidades da saúde, quando antigas suspeitas se confirmam em trabalhos de investigação científica, que infecções periodontais podem exacerbar este elenco de doenças sistêmicas. A presença de cirurgiões-dentistas em equipes médicas de hospitais de ponta no Brasil, sinaliza o respeito que conquistamos a duras penas; situação idêntica aos melhores locais do mundo, onde a integração entre Medicina e Odontologia é algo concreto e palpável.
Assim sendo, concluímos que é tempo de reflexão e busca de novos caminhos para a Odontologia Brasileira.

O advento da realidade demográfica para os novos tempos impõe, com urgência, que as autoridades nacionais da área de saúde e educação, dirigentes de Faculdades de Odontologia responsáveis pelas entidades que ministram cursos de pós-graduação, balizem a formação do novo dentista adequado para uma real demanda que passa a existir.

Recentemente, um grupo de abnegados pioneiros, sensíveis à uma nova realidade criaram a Sociedade Brasileira de Odontogeriatria, que já começa a atuar na coletividade odontológica. Temos certeza que ela será um polo de agregação para todos que se interessem por esta nova área da Odontologia.

Na certa, doravante, assistiremos uma maior programação de cursos, conferências e outras atividades que permitirão uma iniciação na nova especialidade, esperando - sinceramente - que não ocorra, como nos últimos modismos odontológicos, uma corrida em possíveis cursos de especialização, sem que exista uma formação lenta e segura, que redunde em um profissional competente para atuar em tão complexa atividade. Finalizando, lembraria o conceito do mestre odontológico argentino Jorge French:

Os conhecimentos em Odontologia não acontecem como as marteladas rápidas sobre os pregos, mas sim, como parafusos, de forma lenta, gradual e com segurança....



Fonte: Ruy Fonseca Brunetti
Doutor pela Faculdade de Medicina da USP
Professor Emérito da UNESP
Consultor em Odontogeriatria
Co-autor do livro pioneiro: “Odontogeriatria:Noções de Interesse Clínico”
Ex- Diretor da EAP, da APCD Central
Criador do Centro de Oclusão e ATM da F.O. São José dos Campos
Este material teve a cooperação do Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro
Data de Publicação do Artigo: 5 de Dezembro de 2002


Como publicado na Rev.Gau.Odontol., v.50, n.1, p.58, Jan/fev/Mar 2002(Secção:Idéias)

 

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