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Xerostomia em idosos

 

Autora: Dra. Catia Cristina Lima Molena
Colaboradores: Caio Perrella de Rezende, Marcelo Azevedo de Carvalho, Claudia Moraes Queiroz de Rezende
Artigos fornecidos pela aluna de especialização em odontogeriatria Sandra Izumi Mori Ohyama


Publicado na Revista APCD - Edição nº75 - 4º trimestre de 2011


Xerostomia é a sensação de secura bucal, associado com o decréscimo da taxa de fluxo salivar, podendo ser causada por uma alteração quantitativa ou qualitativa da saliva, com incidência maior nos indivíduos idosos. O uso contínuo de determinados medicamentos, tratamentos oncológicos de cabeça e pescoço, a Síndrome de Sjögren estão entre as principais causas.

Essa queixa é muito comum na prática diária, por isso, há a necessidade de um correto diagnóstico, através da história clínica, associado a um exame cuidadoso, e técnicas complementares. Para melhorar a qualidade de vida do paciente idoso, é necessário ampliar conhecimentos, para proporcionar um tratamento correto, junto à equipe multidisciplinar.

Palavra – Chave: Xerostomia, Odontogeriatria.

Abstract


Xerostomy is a dry mouth sensation associated with the reduction of the salivary flow. It may cause an alteration in the saliva’s quality or quantity, occurring more typically in the elderly. The continuous use of certain medicines, head and neck cancer treatment and Sjögren Syndrome are its most common causes. Dry mouth complaint occurs very often so it is necessary to obtain a correct diagnostic through clinical history associated with a careful clinical examination and other specific techniques. To improve the elderly quality of life it is necessary to have good knowledge to offer a correct treatment, along with the multidisciplinary team.

Key words: Xerostomy, Geriatric dentistry.

Introdução


Xerostomia é a sensação de secura bucal, associado com o decréscimo da taxa de fluxo salivar, podendo ser causada por uma alteração quantitativa ou qualitativa da saliva3,20.

Dentre as causas desta alteração pode-se incluir a terapia oncológica local, alterações psicológicas, doenças auto-imunes, uso de medicamentos, infecções agudas ou crônica das glândulas salivares19, bem como desordens sistêmicas. O uso de medicamentos é a causa mais comum de hipossalivação justificando a maior frequência de xerostomia entre idosos12, 17, 18. Para se chegar ao diagnóstico é necessário uma boa anamnese, exame clínico intra-oral e quando necessário a realização de exames complementares13. A sialometria é um procedimento que permite avaliar a produção de saliva quer em
repouso, quer por estimulação química e gustativa ou mecânica7.

A saliva desempenha várias funções na cavidade bucal, que implicam na lubrificação dos alimentos e da mucosa, o controle de uma boa higiene bucal, a manutenção e proteção dos dentes, gengiva e periodonto de suporte4,5,6,8,10.

O tratamento inicia-se pelo conhecimento da etiologia e suas repercussões. Controlar o uso de medicamentos xerogenicos, tratar a doença de base, se for possível, promover a hidratação e tomar medidas para o controle sintomático7,9. Deve-se encontrar a melhor maneira de obter alívio dos sintomas para que não venha comprometer a qualidade de vida do paciente idoso16.

Objetivo

O objetivo deste trabalho foi estudar a xerostomia nos idosos, sua etiologia, consequências e tratamentos, para melhor qualidade de vida, bem estar físico, mental
e social do paciente.

Revisão de literatura


Campos(2000)5 afirmou que o Brasil está passando por processo de envelhecimento rápido e intenso em razão do aumento da expectativa de vida.

Feio(2005)7 descreveu que a saliva é essencial para a proteção da cavidade bucal e do epitélio astrointestinal. A sialometria é um procedimento que avalia a produção de saliva. Pode-se ainda usar técnicas de imagem, desde a radiografia simples, até técnicas invasivas como a sialografia. Todas as medidas a adotar devem dirigirse em primeiro lugar ao conhecimento da etiologia, se a situação patológica é irreversível ou não, avaliar o grau de xerostomia e suas repercussões na perda de conforto e qualidade de vida do idoso. Muitas vezes as medidas possíveis de tomar são de caráter puramente paliativo.

Baptista Neto (2004)1 caracterizou que a etiologia da xerostomia envolve causas locais e sistêmicas. Os anti-histamínicos, anti-parkinsonianos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antipsicóticos e anti-hipertensivos são os principais medicamentos que causam xerostomia. Há doenças que podem provocar xerostomia, entre elas as auto-imunes, principalmente a Síndrome de Sjögren. Outras categorias responsáveis pela disfunção glandular são as neoplasias de glândulas salivares maiores, respiração eminentemente bucal, tabagismo e infecção pelo vírus da Imunodeficiência humana (HIV), entre outras.

Kolbe(2004)11 relatou que a maioria dos idosos perdem os dentes, causando dificuldade de mastigação, não estimulando adequadamente as glândulas salivares, aumentando a xerostomia. Com a perda dos dentes, ocorre um comprometimento estético, com consequências psicológicas, alterando o funcionamento das glândulas salivares, comandadas pelo sistema nervoso central, havendo uma redução no fluxo salivar.

Pupo(2002)15 afirmou que a abordagem terapêutica do paciente com xerostomia varia de acordo com determinadas características individuais. O tratamento tem como objetivos o alívio dos sintomas, prevenir ou corrigir eventuais sequelas da disfunção salivar, e a cura da doença sistêmica associada. Paiva(2004)14 descreveu que o tratamento baseia-se em evitar todos os agentes que possam diminuir a salivação como o uso de produtos do tabaco e do álcool.

Vidal(2004)20 afirmou que medidas preventivas de higiene bucal com reforço de técnicas que incluem o uso de escovas de dente com cerdas macias, pasta de dente com fluoretos, uso de fio dental e enxaguatórios bucais; estimular o idoso a ter uma alimentação balanceada com a ingestão adicional de vitaminas B e C e tomar pelo menos dois litros de água ao dia para promover hidratação.

Discussão

Feio7; Turner et al.18 descreveram que essa redução do fluxo salivar no idoso, chega a ser três vezes superior à do adulto mais jovem. Campos et al.5; Rivaldo et al.16; Soares17 caracterizaram que a evolução da população geriátrica brasileira constitui um grande desafio, que crescerá 3,22 vezes até o ano 2025.

Lucena et al.12 concordaram que xerostomia é a sensação de boca seca sendo uma queixa bastante comum, presente em cerca de 40% dos idosos, provocando distúrbios da fala, mastigação e deglutição.

Pupo et al.15; Batista et al.2; Couto6, afirmaram que a etiologia da xerostomia pode ser alterações emocionais, stress e neuroses; doenças orgânicas, Síndrome de Sjögren, aplasia, obstrução e infecção das glândulas salivares, quimio e radioterapia, uso de medicamentos e drogas, e idade avançada.

Pupo et al.15 descreveram que a sialometria auxilia na escolha do tratamento a ser realizado, mas permite também a avaliação de sua eficácia, através da realização de exames seriados em um mesmo paciente.

Lucena et al.12 afirmaram que um diagnóstico preciso deve-se a uma boa anamnese, exame clínico intra-oral, e quando necessário realização de exames complementares. A sialografia, imagem de ressonância magnética (IRM), cintilografia e biópsia da glândula salivar são outros testes requisitados para auxiliar a avaliação das glândulas salivares.

Pupo et al.15 afirmaram que a abordagem terapêutica do paciente com xerostomia varia de acordo com determinadas características individuais.

Conclusão

Dentro dos limites desse trabalho, conclui-se que o odontogeriatra precisa conhecer a etiologia, diagnóstico e tipos de tratamento para tomar as medidas terapêuticas necessárias, melhorando assim, a qualidade de vidas dos idosos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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alimentar e a nutrição do idoso. Rev Nutr. 2000;13(3):157-65.
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18. Turner M, Jahangiri L, Ship JA. Hyposalivation, xerostomia and the complete denture. J Am Dent Assoc. 2008;74(3):423-8.

19. Vasconcelos BCE, Novaes M, Sandrini FAL, Maranhão Filho AWA, Coimbra RS. Prevalência das alterações da mucosa bucal em pacientes diabéticos: estudo preliminar. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;74(3):423-8.

20. Vidal ACC, Lima GA, Grinfield S. Pacientes idosos: relação entre xerostomia e o uso de diuréticos, antidepressivos e anti-hipertensivos. Int Dent J. 2004;3(1):330-5.

 

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